Filho atípico
Muitas mães de filhos atípicos ouvem que suas crianças foram
prejudicadas por espíritos ruins. Uma informação forte, muitas vezes vinda com
intenção de ajudar, mas que flagela e engana. Filhos atípicos não são resultado
de maldição, mas da natureza que também tem seus mistérios.
Certa
vez, falaram que Jesus estava endemoniado. Nossa Senhora foi atrás para ver se
era mesmo. Com a resposta dele, entendeu que não: Jesus só estava sendo Jesus,
e cumprindo sua missão.
Marcos
3, 20-35: ‘... estavam dizendo: “Ele está possuído por um espírito impuro.” Nisso
chegaram a mãe e os irmãos de Jesus; ficaram do lado de fora e mandaram
chamá-lo... Jesus perguntou: “Quem é minha mãe e meus irmãos?” Então Jesus
olhou para as pessoas que estavam sentadas ao seu redor e disse: “Aqui estão
minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de Deus, esse é meu irmão,
minha irmã e minha mãe.”’
Para
os moldes daquela sociedade, Maria teve um filho atípico. Se de longe Jesus
parecia ser mais um, de perto, suas opções causavam espanto, como se houvesse
uma variação na forma de funcionamento de seu cérebro. Não era biológica, mas
causava estranheza.
Sua
história também não foi a mais típica. Ainda bebezinho recebeu a visita de três
magos, que muitos consideravam feiticeiros. Levado ao Templo, o sacerdote disse
que seria “causa de queda e reerguimentos para muitos” e que sua mãe “teria uma
espada traspassada na alma”. Fugiu ou se escondeu dos pais à idade de doze anos,
ficando três dias perdido no templo. E foi pregado numa cruz como um malfeitor,
depois de várias vezes suspeitarem que estava possuído por um espírito ruim.
Os
supersticiosos vizinhos podem ter comprado a ideia de que o filho de Maria fora
amaldiçoado desde pequeno. Talvez, por isso, na cruz, ele pediu que ela não
voltasse para Nazaré, mas ficasse com o discípulo amado.
Imaginemos
os boatos:
“-
Viu! Eu disse que aqueles feiticeiros, com presentes de longe, não traziam
coisa boa. Desde então o menino ficou diferente.”
“-
Sem falar na gravidez duvidosa dela... Sei não... se foi anjo que apareceu
mesmo...”
“- E as palavras do sacerdote no Templo: ‘será
causa de queda e reerguimento’? Já se via que tinha algo errado. Lá no Templo
apareceu.”
“- E
o dia que ele fugiu dela? Aquilo foi aos doze anos, eu acho... parece que tinha
uma ‘coisa’ que não deixava encontra-lo.”
“-
Tadinha da Maria! É uma santa. Não merecia essa espada na alma. Se esse menino
não tivesse vindo do jeito que veio, Maria seria uma mulher feliz.”
“-
Agora ela está aí dizendo que ele está vivo. Pobrezinha! Que sina! Está pagando
alguma coisa que só Deus sabe.”
Não
estava pagando nada, não era mãe de um filho endemoniado, não foi um erro
dedicar-se integralmente ao seu menino. Havia uma missão. E a atipicidade de
Jesus revelava essa missão.
Mãe,
coragem! Se na sua casa, apesar de haverem tantos desafios, há um filho cuidado
com amor, asseguro-lhe: o Diabo tem medo. Onde o amor é forte, o Diabo é fraco,
onde o amor é grande, o Diabo não tem vez.
Pe.
Nildo Moura de Melo, OSFS
#atípico
#fé

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