Meias amarelas


Uma turma de medicina chegou ao seu dia de formatura. Combinaram que iriam todos de branco. Durante a formatura, uma gargalhada rompeu a solenidade. O motivo era um dos formandos: estava de MEIAS AMARELAS.

Seu amigo então lhe disse: “- Eu presto atenção em você desde o primeiro dia de faculdade. Você frequentou todos esses anos de medicina com meias só amarelas: por quê?”

“- Vou te contar. Minha mãe tem um defeito na vista. Ela só consegue enxergar sete por cento e só vê bem o que está perto do pé dela. Eu era um menininho que ia para escola. E minha mãe não conseguia me olhar de frente. Para ela, todo menino era igual. Ela só via uma nuvem. Então, ela me mandava ir para escola só de meias amarelas. Todos os meus coleguinhas iam para a escola de meias brancas ou pretas. Eu ia de meias amarelas. Aí, na hora que o sinal tocava, a gente saia da escola, minha mãe ficava no portão, olhando para baixo... O primeiro que passava de meias amarelas, ela pegava... ERA EU! Só que um dia, a aula acabou. Minha mãe não apareceu. Eu fiquei na escola, fiquei chorando. Aí ligaram para o meu pai. Meu pai me buscou. E minha mãe nunca mais apareceu. A família procurou a minha mãe durante anos. Até hoje não a encontramos. Mas tenho fé que um dia ela voltará, porque me ama... Eu sei que não me reconhecerá olhando rosto. Então, eu uso meias amarelas, porque o dia que ela aparecer e passar alguém de meias amarelas, ela vai me puxar, porque saberá que sou eu.

Essa meia amarela, para Deus, é o amor. Ele nos reconhecerá pelo amor. Quando você ama a Deus e ama o próximo, você está de meias amarelas. Os outros não entendem, os outros criticam, mas Deus diz: “- É o meu filho. É aquele que guardou a minha palavra, é aquele que confiou em mim, me esperou e acreditou em mim. E por isso, não o confundo.” Deus nos reconhece pelo amor.

Na cruz, Jesus morreu de MEIAS AMARELAS. Tiraram tudo dele, mas não tiraram O AMOR. Ele amou até fim. Amou a Deus e a todos nós. Por isso, Deus o reconheceu na mansão dos mortos e o puxou para a vida: “- É o meu Filho, essas meias são as meias que dei a Ele. Eu o encontrei e o ressuscito, o puxo para mim, para a vida.”

 

Adaptação: Pe. Nildo Moura de Melo OSFS

Recolhido das narrativas de Pe. Léo Tarcísio e Pe. Chrystian Shankar




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