A noz de Santo Antônio

 Santo Antônio fez suas últimas pregações sobre uma nogueira, em Camposampiero, próximo a Pádua. Todos os dias, pregava o Evangelho sobre aqueles galhos. O povo, antes de ir ao trabalho, passava ali para ouvi-lo.  Ele já não tinha mais nenhuma força e beleza - a hidropisia o tinha deformado - mas o que saia dele, encantava a toda gente. Era um passarinho, ferido e machucado, que perdeu suas forças, perdeu sua beleza, mas não o seu canto, o canto do amor de Deus, do amor ao próximo, da esperança e da fé. Não pregava mais nas catedrais nem nas praças públicas: mas era tão nobre quanto nos mais belos púlpitos.

Veja como nada é por acaso: o Doutor da Igreja, que tinha uma memória extraordinária, que sabia a Bíblia de cor, passou seus últimos dias junto a uma nogueira. E quando quebramos uma noz, fruto da nogueira, encontramos a estrutura de um cérebro. O grande cérebro nos galhos daquela nogueira não era algum desenhado nos frutos, mas o do frade franciscano chamado Antônio. E hoje, em cada noz, recordamos a sabedoria amorosa do nosso padroeiro.

Sim, foi numa árvore, a mesma que desenha o cérebro humano, que santo Antônio nos deu toda sua capacidade de memória, toda sua capacidade de raciocínio, toda sua capacidade de comunicação, mas sobretudo toda sua capacidade de amar a Deus em pensamentos e palavras, atos e sentimentos.

Assim, a noz é um símbolo de Santo Antônio, porque foi sobre uma nogueira que ele fez as últimas pregações e porque, o interior desse fruto é semelhante ao cérebro humano que significa o coração e o cérebro, o amor e a inteligência desse homem santo e extraordinariamente inteligente. Toda noz lembra a sabedoria amorosa de Santo Antônio.

 

Pe. Nildo Moura de Melo, OSFS

 

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