Meias amarelas e nozes

Depois do encontro na igreja de Santo Antônio, o filho levou sua mãe para conhecer sua família. Os netos e todos da casa a esperavam de meias amarelas. Depois de todo o carinho e da emoção daquele encontro, ela pediu para conversar a sós com ele.  A casa era grande e com um lindo jardim, onde o filho sentou-se com ela debaixo de uma nogueira.

 “Filho”, disse ela, “Deus faz tudo perfeito. Nada é por acaso. Na igreja de Santo Antônio, Ele me devolveu você. E agora estou na sua casa, debaixo de uma nogueira. Sabia que Santo Antônio, o homem da memória prodigiosa, o santo de inteligência ímpar, viveu seus últimos tempos sobre uma nogueira, que justamente tem o fruto em forma de cérebro?”

E catando duas nozes no chão, entregou a ele dizendo: “essas são as nozes de Santo Antônio.  Representam Cristo: a casca, sua humanidade; o fruto escondido, sua divindade; e a árvore que o produz, o madeiro da cruz. Seu fruto por dentro tem a exata estrutura do cérebro humano. A noz lembra que temos consciência, inteligência e intuição. Na formação embrionária, o coração é o primeiro a se formar, junto com os vasos que levam os suprimentos de oxigênio, glicose e elementos para o funcionamento dos neurônios. O coração fica na posição cefálica e depois desce para o centro do peito à medida que o corpo vai se formando. O coração faz surgir o cérebro para que nunca pensemos sem o coração. Santo Antônio tinha sua inteligência nutrida pelo coração. Ele amava e compreendia. Sim, o pensamento se forma no coração. O coração é a sede da consciência. Pense sempre com o coração, meu filho, porque o teu cérebro é o teu coração. E, se no teu coração tiver o amor e a fé, sempre você estará de meias amarelas. E Deus sempre te enxergará, como eu fui capaz de te enxergar... Eu tinha perdido a memória. Por isso demorei tanto a voltar. Mas Santo Antônio me devolveu ela. A primeira coisa que lembrei foi das meias amarelas, porque minha memória tem sua sede no coração.

E aquela mãe entregou para o filho e os demais, duas nozes significando o coração e o cérebro, o amor e a inteligência, as meias amarelas e a nogueira de Santo Antônio.

 

Pe. Nildo Moura de Melo OSFS

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