Parábola da flor em sertão agreste - Sobre a Misericórdia de Deus


Depois de ter criado todas as coisas, Deus quis visitar os jardins do mundo. E assim o fez. Então, retornou ao céu. Um anjo percebeu que Deus voltara como se não estivesse satisfeito. Perguntou-lhe: “Bom Criador, alguma coisa não vos agradou nos jardins que o Senhor criou?”. “Tudo me agrada, querido anjo, mas senti falta de uma florzinha e isto me aborreceu”. “Bom Criador”, disse o anjo, “eu posso lhe explicar: acontece que uma semente caiu num árido sertão agreste. No entanto, floresceu. É a única que não está nos jardins”.
“Quero vê-la”, disse Deus. E foi até ela. Quando a encontrou, bonita e vigorosa, disse o Senhor: “criaturinha querida, desculpa o descuido dos anjos. Você caiu aqui, mas eu queria que estivesse nos terrenos férteis dos jardins”. “Meu Bom Criador, sou-lhe grata por tudo. Nunca me senti abandonada ou esquecida. O Senhor sempre me visitou nas gotas da chuva e do sereno, mesmo aqui no sertão”. Deus deu-lhe um sorriso, ela também sorriu. Os dois conversaram longamente até o pôr-do-sol.
Muitas vezes nos sentimos como uma flor longe do jardim, no sertão árido e agreste das nossas falhas, pecados e sofrimentos, mas o Senhor nunca nos abandona. A chuva com a qual Ele nos visita é sua misericórdia que sempre irriga nossa vida e nos traz o conforto e a beleza dos jardins. A misericórdia de Deus chega aos mais distantes sertões agrestes, mesmo quando o coração já desistiu de olhar para o céu. A misericórdia de Deus é o seu modo mais genuíno de amar-nos. Se por um descuido caímos na aridez de uma vida longe de Deus, Ele nos alcança, Ele nos visita, Ele nos quer ver florescendo.

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