Tentações
No primeiro domingo da Quaresma, ouvimos o evangelho das tentações sofridas por Jesus após o seu batismo, no início de sua missão. É um texto belíssimo que, à luz do mistério pascal, nos mostra a força da fidelidade de Cristo (Mt 4,1-11, Mc 1,12-13, Lc 4,1-13).
Segundo os textos sagrados, o diabo tenta Jesus. Essas tentações não são convites a realizar ações pecaminosas, mas refinadas seduções com os quais satanás tenta neutralizar a atividade do Messias. O diabo não se apresenta como inimigo, mas como válido colaborador. Só que essa colaboração seria a ruína da missão do Senhor, como foi a ruína de Adão.O diabo incentiva Jesus a corresponder às expectativas populares com um sinal extraordinário como garantia da proteção divina. Nas tentações do deserto, Jesus está enfrentando as falsas expectativas que o povo de Israel pusera na figura do Messias, um líder poderoso que viria para vingar-se e promover um único povo à soberania universal. Ser tentado no deserto tem a ver com os poderes disputados com violência, feito o que ocorreu com Davi e Saul. Jesus não ambiciona o poder, por isso, vence as tentações do egoísmo (transformar pedra em pão), do exibicionismo (se jogar do templo) e a última, que é era o trunfo do tentador, o fascínio do poder absoluto. Subir ao Monte altíssimo significava, para aquelas realidades culturais, acender a condição divina. Qualquer um que detivesse o poder era considerado uma divindade. Jesus não quer ser uma divindade. Ele quer servir ao Pai, é Filho do Pai e o seu poder é o amor.
Seremos tentados como Jesus, mas não nos deixemos ser seduzidos à desobediência. Não usemos nossos dons para satisfazer-nos exclusivamente, em detrimento do outro. Não sigamos o caminho do exibicionismo que deseja viver e mostrar a fé por meio de coisas fantásticas e extraordinárias. Não queiramos nos elevar acima dos demais, sermos “adorados” ou adorar quem nos pode dar privilégios. Sejamos quem somos, plenamente obedientes a Deus e fieis à nossa missão.
Pe. Nildo Moura de Melo, OSFS

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